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Miolo de Pote em Cantigas e Versos


Quando teus beicim

apitombado

apareceram

nas linhas tortas do meu olhar

desandei léguas

cerrado dentro de mim


Era ver cobra

rastejando pelo gosto

dessa raspinha acre-doce

que juro ter o teu beijar.


Eu colibri baleado

pelo desejo de provar

a carnadura

da tua bocaliandra

e o cheiro jabuticaba

dos teus cabelos sarará


Pele de jatobá marronzim

cantiguinha de beija-flor

sucupira floridinha

ninho de fogo pagô


Mutambinha cheirosa

araçá bem madurim

araticum, cagaita

ingá, meu ingá meu docim



Escrito por lilia diniz às 19h42
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http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.arteeeventos.com.br/paginas_leilao/pictures/

Meninice

       (Clauky, poetaçucena) 

 

 

E brincando com o tempo
jogo palavras amarelinhas
versos empetacados
caem no poço de rimas
e sigo ora em ciranda

ora em bombarquim
me encontrando no travesso
esconde-esconde
dos teus olhos meninos



Escrito por lilia diniz às 22h49
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TONNEVES - COLHEDOR DE ARROZ

 

 

Leitura

(poema para minha mãe Alice, que se alfbetizou aos 57 anos de idade)

 

 

As letras do meu roçado

agora teimam nascer

com gosto

textura

cor

 

Florescem as vogais

semeadas entre consoantes

plantadas na peleja diária

de um alfabeto que floreia bonito

 

Se debulha em colheitas

de manhãs desabrochadas

ao cantar do galo que me desperta

alimentando meu canto de liberdade

 

Abóbora, arroz, araçá, abacate, açaí...

Banana, batata, babaçu, berinjela, bacuri...

Caju, cacau, coco, cabaça, cajuí...


Nesse novo ABC

aprendo e reaprendo

que o trator do algoz

não suporta a ternura

arrebentando

em palavras caminhantes

ocupando o seio da terra

resistindo com vocábulo do amor

e produzindo lavouras de esperança

na cartilha da vida



Escrito por lilia diniz às 21h58
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(TONNEVES - LATA DÁGUA - Acrilico em tela)

 

 

Peleja 


O dia mainceno

terrero barrido

mandioca raspada

o forno acendido

 

Quebrajejum pronto

café já cheirano

bascui apanhado

galinha ciscano

 

Os copo ariado

os pote cheim

arroz cangulado

xerém pros pintim

 

Cabaça inxida

feijão debulhado

caêra esfriano

os coco torrado

 

Passarinha o menino

armando a arapuca

de castanha a menina

enche sua cumbuca

 

Ligume im fartura

jumenta apojada

o mio já no ponto

foi boa a invernada

 

Acende as candêa

o dia vem truvano

a cortina da noite

já vem se fechano

Me faz um xamego

me tira o infado

da peleja do dia

do coipo cansado

 

Imbruia os menino

mode a cruviana

vem cá meu denguim

 meu melado de cana

 



Escrito por lilia diniz às 21h28
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Escrito por lilia diniz às 01h20
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