
Caboca Goyá Perdida nas sombras tortas do cerrado catando gravetos, folhas secas, flores murchas, um resto qualquer de cigarra morta que negue essa aldeia a pul(s)ar ancestralmente na batida do meu peito Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Buscando uma erva que cure de vez a dor de uma ausência das fogueiras que jamais me esquentaram os pés Goyááááááááááááá! Sugando o encarnado das caliandras para tingir meu sangue de outro vermelho mais luz menos dor mais planta menos eu Goyá! Desejando encontrar um fruto acre amargo doce azedo que extinga por fim o gosto incomparável do suco de estrelas que me eleve a alma
Escrito por lilia diniz às 22h55
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 Algorando
Quero um caixão o mais belo que jamais vi nascido por entre as águas de frutos belos, palmas abertas que tenha abrigado a canção do juriti Uma mortalha tecida pelas mãos das fiandeiras com os fios enviesados por excelências dolentes enfeitada docemente com as toadas dos vaqueiros Meu túmulo, casa de barro quero buninas e perpétuas semeadas no terreiro Uma cruz quero por certo do talo de babaçu bem furnida com imbira grossa que é pra servir de descanso
pra rolinha pro nhambu
Escrito por lilia diniz às 19h57
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